28 28UTC janeiro 28UTC 2010

Redução de IPI da linha branca chega ao fim

A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os eletrodomésticos da linha branca termina no  domingo, dia 31 e,  segundo o governo federal, não haverá mais prorrogação do prazo.

A redução feita no ano passado foi um sucesso para as vendas do setor e fortemente comemorada pela opinião pública e o varejo em geral.

Embora a redução implicasse em perda de arrecadação como alega o governo – teria renunciado aproximadamente 135 milhões de reais durante o período – não consigo acreditar que isto seja verdade. Vou me explicar melhor.

O preço do produto cai na gôndola e o consumidor responde imediatamente comprando mais. Quando o consumidor compra mais, as fábricas precisam produzir mais e, por menor que seja, há ganhos de empregos formais em toda a cadeia produtiva e, consequentemente, aumenta a arrecadação de impostos dos governos em todas as esferas. São mais pessoas na fábrica, mais pessoas na entrega do produto, mais vendedores nas lojas para atender a demanda, mais dinheiro girando, mais comissões para os vendedores, novos investimentos na indústria, enfim, o círculo virtuoso se forma.

Todos sabemos que desde o governo de Itamar Franco a carga tributária do país cresce desenfreadamente, conforme a figura abaixo.

Em uma de nossas pesquisas nós perguntamos à população quais categorias elas gostariam de trocar / comprar nos próximos 3 meses caso a sua capacidade de acesso ao crédito / renda aumentasse em R$ 1.000,00 por mês. Após anotar as categorias desejadas, nós distribuímos uma quantidade de moeda (vamos chamá-las de estalecas) equivalente aos R$ 1.000,00 e apresentávamos o valor mensal de cada um daqueles produtos que ele desejava trocar / comprar.

O objetivo do exercício era forçar o consumidor a priorizar quais produtos ele compraria, uma vez que suas estalecas eram limitadas.

Bens da linha branca era prioridade principalmente nas classes mais baixas, onde as necessidades de consumo são mais básicas.

É exatamente este o público que mais apóia o presidente que será prejudicado com o fim da redução de impostos.

Ficou provado que a redução do IPI da linha branca e dos automóveis tiveram impacto fortíssimo nas vendas e que o consumidor gostaria, e muito, que fossem preservadas estas reduções ou que os impostos diminuíssem ainda mais. Menos impostos = Mais consumo

Em nossa pesquisa também perguntamos quais categorias as pessoas consumiriam mais caso os governos diminuíssem impostos. Os produtos de necessidades mais básicas como alimentos e saúde sairiam na frente.

Lula poderia ter se apropriado de mais este pilar para se consolidar como defensor dos pobres, mas ao terminar com as reduções, deixou aberto o caminho para que a oposição se aproprie. Resta saber se qualquer um dos candidatos abrirá mão de arrecação para ganhar a eleição.

Para mim, seria o único argumento realmente efetivo para tirar votos de Lula.

E você? O que acha?

26 26UTC janeiro 26UTC 2010

O crescimento da classe C

Nos países do hemisfério norte são considerados para classificação dos indivíduos critérios como renda, cargo, escolaridade, entre outros. A instabilidade política e monetária dos países do hemisfério sul até bem pouco tempo atrás faz com que este tipo de classificação ainda não seja possível. Era difícil utilizar renda devido às grandes volatilidades das moedas nacionais.

O critério de classificação social adotado no Brasil e em diversos países do Hemisfério sul utiliza um mix de Escolaridade, posse de bens e, em alguns casos, até mesmo uma análise visual da moradia da pessoa é levada em conta para a classificação.

No Brasil, prevalecem a escolaridade do chefe de família e a posse de bens como os principais fatores. Os ano de Lula fizeram com que o brasileiro tivesse maior acesso à educação e também ao consumo de bens.

Carros, geladeiras, fogões, máquinas de lavar e tanquinhos, DVDs, Televisões, são todos bens que contam pontos para o critério Brasil e tiveram grande performance os últimos anos. Gostaria de deixar claro que não estou discutindo no post a qualidade do ensino nem a influêcia do governo no aumento do consumo, mas é fato que os anos de Lula foram favoráveis para isso.

O acesso à universidades melhorou nos anos de Lula e mais pessoas adquiriram o diploma de ensino superior. As taxas de analfabetismo alcançaram os níveis mais baixos históricos, conforme o gráfico abaixo.

A renda per capta também cresceu significativamente nos últimos anos, conforme gráfico abaixo.

Este aumento de escolaridade e da renda e, consequentemente do consumo, fizeram com que houvesse uma grande mobilidade de classes sociais. A classe C ganhou quase 10pp nos últimos anos, enquanto as classes CD diminuiram sensivelmente.

As classes AB tiveram pequenas alterações.

Vale ressaltar que, embora o país tenha crescido e tenha havido mobilidade de classes, o país continua desigual, com grande concentração de renda entre a parcela mais rica da população.

Diminuir a desigualdade continua sendo o maior desafio do novo(a) governante que assumirá em 2011. E você? O que acha desta concentração da renda? Será que os próximos governos conseguirão mudar este cenário?

25 25UTC janeiro 25UTC 2010

Grupo Lance lança Jornal para as classes CD

O Grupo Lance! comercializa na próxima quarta-feira (20/01/2010) o jornal Mais, voltado para as classes econômicas C e D e com preço de R$ 0,50. O novo jornal será feito em versão tablóide, com até 28 páginas e 75 mil exemplares/dia.
Segundo o presidente do grupo, Walter de Mattos Jr, trata-se de um projeto que estava praticamente pronto há muito tempo, mas mesmo assim é considerado de grande risco pelo executivo.
O jornal foi testado junto ao público alvo e terá o desafio de fazer sucesso no mercado paulistano, carente de um jornal popular desde que o Notícias Populares saiu de cena. O mercado pop tem sido coberto pelos jornais gratuitos Destak e Metro, embora o conteúdo destes jornais não tenha a linguagem adequada para o público alvo.
Embora a classe C tenha alcançado posição de destaque já a algum tempo, ainda são poucos os projetos voltados especificamente para este público. Algumas empresas que tentaram lançar algo estereotipado para este público não obtiveram sucesso.
Vamos aguardar para ver se o risco valeu a pena. Eu aposto que sim.

18 18UTC janeiro 18UTC 2010

A classe C e as eleições 2010

Esta será a primeira vez desde o retorno do país à democracia que o atual presidente Luis Inácio Lula da Silva não será candidato.

Sua presença cativa como um dos candidatos em todas as eleições desde 1989 acabaram criando um parâmetro que indicava para onde iriam parte dos votos dos brasileiros.

O fim da era lula como candidato traz a tona um questionamento: qual será a referência? Será que a Dilma será capaz de capitalizar os votos históricos do presidente? Será que o Serra terá um discurso capaz de atrair os votos daqueles que sempre foram com o Lula?

Diagnosticando o voto no Brasil por classe social, vemos que as classes mais altas tendem a definir o seu voto com maior antecedência e possui maior repertório para decidir sobre este ou aquele candidato. São mais antenados e tem maior poder de influenciar pessoas para que votem neste ou naquele candidato, embora esteja claro que após 8 anos de Lula este poder de influenciar as massas que as elites tem diminuiram sensivelmente.

As classes mais baixas ou a base da pirâmide, como são mais conhecidas, definem o seu voto mais próximos das eleições, normalmente quando o horário eleitoral está no seu ápice. Antes deste período, tendem a declarar voto no candidato de maior recall. Seu repertório para definição do voto é mais restrito e trata-se de um público históricamente mais influenciável. Será que os anos de Lula mudaram este cenário? 

No meio destes dois perfis está a classe C. É a classe de maior representatividade na população e certamente terá um papel importantíssimo nessas eleições. Os anos de Lula fizeram com que o consumo destas famílias aumentasse consideravelmente, o que conta positivamente a favor do candidato do governo, mas este público também tem maior capacidade de discernir sobre o que é certo ou errado neste ou naquele candidato. Uma parcela deste público reconhece, por exemplo, que o governo FHC deu as condições para que o aumento do consumo ocorresse. 

Trata-se de uma nova classe de formadores de opinião, mais esclarecida do que nas eleições passadas e com uma capacidade de decidir os rumos da nação como nunca se viu.

Nos resta aguardar os próximos passos desta eleição, que será certamente a mais importante de nossa curta história de democracia pós ditadura. Os eventos que nos aguardam nesta década mostram que a decisão que será tomada agora será fundamental para o Brasil se consolidar como uma potência ou continuar sendo um emergente.

E você? O que acha?

21 21UTC dezembro 21UTC 2009

O grande mercado do pré-pago – como expandir para outras categorias além do celular?

Um dia desses conversávamos aqui no Instituto Análise a respeito de vários resultados de pesquisas com as classes mais baixas para tentar entender o fenômeno do pré-pago na telefonia celular.

Vimos, em várias pesquisas quantitativas, que além do celular pré-pago, as pessoas não possuem outras categorias de serviços que ofereçam a opção pré-pago.

Como explicar o porque aproximadamente 80% das pessoas que possuem celular optam pelo pré-pago, mesmo sabendo que o valor das ligações (fora das promoções) é mais alto? Por que outros serviços pré-pagos como cartões, TV por assinatura, entre outros não atingiram este patamar de penetração?

No caso do celular, somente encontramos respostas quando estudamos os hábitos de consumo das famílias de baixa renda qualitativamente, sem aprofundar muito as categorias de produtos e serviço.

A primeira descoberta é que o Brasileiro gosta mesmo é de promoção e não tem fidelidade às redes e prefere fazer suas compras de supermercado picadas seguindo as promoções oferecidas. Tem o dia da carne na rede X, a quarta maluca da rede Y, o dia da verdura da rede Z e assim por diante. O Wal Mart nunca conseguiu impor no Brasil a sua política de preços baixos todos os dias versus a política de High / Lows praticados pelas redes brasileiras.

Aliadas às promoções do dia, também contribui para aumentar a freqüência de compras do público de baixa renda as dificuldades de locomoção, quase sempre a pé ou de ônibus, o que faz com que as quantidades compradas sejam pequenas.

 A oferta da categoria de celulares pré-pagos é  muito parecida com a dinâmica do varejo brasileiro, onde mais valem as promoções do que pagar um preço mais barato pela ligação. A briga entre as operadoras faz com que as pessoas carreguem mais de um chip e utilizem aquele que tenha a “melhor” promoção do momento.

A dinâmica da oferta ajuda a explicar o sucesso dos pré-pagos na telefonia celular, mas não é a única razão. Nas pesquisas qualitativas, vimos que além do fator financeiro, pesa muito o fato de não ter um vínculo com a operadora, como acontece com o pós pago. As pessoas não querem um contrato, não querem o longo prazo. Elas querem ser infiéis, mesmo que isso tenha um preço, o valor mais caro por ligação.

O mesmo vale para outras categorias. As mães de baixa renda preferem dar uma hora diária na Lan house para os filhos ao invés de pagar pelo serviço mensal de uma banda larga. Aquela hora diária serve como um presente, um fator de inclusão. Se fosse um serviço contínuo não teria o mesmo valor.

O grande desafio de várias categorias de serviço está em achar uma maneira de vender o pré-pago como fizeram as operadoras de celular. Várias já tentaram, mas o benefício oferecido nunca foi forte o suficiente para converter em vendas. Cabe as empresas aprofundarem o seu conhecimento neste público e encontrarem aquele “Insight” do consumidor. E você? O que acha?

30 30UTC novembro 30UTC 2009

Campeonato Brasileiro – pontos corridos ou mata-mata?

Na onda de outubro da nossa pesquisa nacional nós incluímos uma série de perguntas sobre a forma de disputa do campeonato brasileiro.

Qual deve ser a forma de disputa nos próximos campeonatos? Manter o sistema de pontos corridos ou voltar ao sistema mata-mata?

A resposta do brasileiro mostra que o sistema de pontos corridos caiu no gosto de quem gosta do futebol. A maioria das pessoas que torcem para algum time (filtro da pesquisa) prefere o sistema de pontos corridos ante o mata-mata. Mesmo quem não acompanha o esporte no dia a dia prefere este sistema.

 O sistema de pontos corridos é considerado mais justo, que privilegia os clubes mais organizados.

Até mesmo o argumento utilizado pela rede que detém os direitos do campeonato, que alega que houve queda nos índices de audiência foram contestados pelo público que acompanha o esporte.

Quem assistiu a penúltima rodada do Brasileirão e acompanhou as diversas mudanças na posição dos clubes na tabela e a chuva de gols em praticamente todos os jogos deve ter sentido poucas saudades do sistema antigo. Foram praticamente 10 finais e muitas emoções para quase todas as torcidas. E você? O que acha?

26 26UTC outubro 26UTC 2009

Alberto Carlos Almeida lança o livro Erros em 10/11, em Brasília

convite Erros

Para quem gosta de política e fica intrigado com os resultados de pesquisas políticas e de opinião pública vai se deliciar com o lançamento do livro Erros nas pesquisas Eleitorais e de Opinião, da Editora Record.

O livro trata de erros não amostrais nas pesquisas e é leitura obrigatória para quem trabalha com pesquisa, seja de opinião ou de mercado.

Uma das passagens do livro de que mais gostei trata das discrepâncias nas pesquisas de intenção de voto. O autor compara os resultados das pesquisas de intenção versus o resultado real das eleições. É incrível como a escolaridade influencia nos resultados das pesquisas. Esta passagem fica no primeiro capítulo, cujo título é bastante sugestivo: As pesquisas eleitoriais indicam que o natal vai cair entre 20 e 30 de dezembro. Excelente!

Bom, fica aí a minha dica. O lançamento oficial do livro será em Brasília, em 10/11. Quem puder, dê uma passadinha por lá, caso contrário, compre o livro que será garantia de boa e rápida leitura.

Só lembrando que no ano que vem as eleições prometem e, certamente teremos polêmicas nas pesquisas.

14 14UTC outubro 14UTC 2009

43% dos Brasileiros querem a Argentina fora da copa do mundo de 2010

Acabamos de receber os dados de nossa onda de setembro do Diagnóstico Brasil e os resultados mostram que a população adulta brasileira está dividida em relação a participação da Argentina na próxima copa do mundo de futebol. 43% da população gostaria que a Argentina ficasse de fora do mundial.

Ainda que praticamente metade dos brasileiros queiram a Argentina fora da copa, para a maioria da população (71%) é inaceitável que o Brasil entregue o jogo para que isto aconteça (Nota: quando a pesquisa foi a campo, a Venezuela ainda possuía chances de ir ao mundial).

Pesquisa divulgada hoje no Chile mostra resultados parecidos, com 44% dos Chilenos querendo ver a Argentina fora do mundial.

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1 01UTC outubro 01UTC 2009

Boletim Diagnóstico Brasil

O Boletim Diagnóstico Brasil é um compilado de várias pesquisas feitas ao longo de 2009 pelo Instituto Análise, utilizando nossa pesquisa de opinião pública tipo Omnibus chamada Diagnóstico Brasil.

São 1000 entrevistas mensais com a população adulta Brasileira (16 anos ou +), de todas as classes sociais e regiões do Brasil. São 70 cidades pesquisadas todos os meses.

O Boletim traz resultados sobre vários assuntos, inclusive sobre a classes C.

Vale a pena a leitura.

http://www.institutoanalise.com/uploadArq/657.pdf

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23 23UTC setembro 23UTC 2009

A escolha da sede das olimpíadas de 2016

Na última onda de nossa pesquisa nacional mensal, incluímos algumas perguntas para saber o grau de conhecimento do Brasileiro com relação à escolha das sedes dos jogos olímpicos de 2016.

A pesquisa foi a campo na ultima semana de agosto e, para nossa surpresa, o conhecimento dos brasileiros sobre a candidatura do Rio mostrou-se bastante baixa.  Vamos aos números: Apenas 54% da população acima de 16 anos sabia no final de agosto que a cidade do Rio era candidata a sede das olimpíadas de 2016.

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Uma outra pergunta questionava se o Rio teria ou não condições de receber os jogos em 2016.  46% dos brasileiros disseram que sim e 41% disserm que não, praticamente um empate técnico entre o sim e o não.

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Entre aqueles que acreditam que o Rio não está preparado para receber os jogos, as principais razões alegadas referem-se à questões ligadas a segurança pública / violência contra as pessoas (nota metodológica: as pessoas podiam escolher mais de uma razão).

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Perguntamos também qual a maior qualidade e o maior defeito do Rio de Janeiro. Os maiores defeitos alegados foram a falta de segurança / violência contra as pessoas, que juntos somaram mais de 80% das menções. Como a pesquisa retrata a opinião da população brasileira como um todo, o que aparece como defeito é aquilo que se vê de negativo nos noticiários.

Já entre as qualidades do Rio, as menções ficam mais pulverizadas. A boa infraestrutura deixada principalmente pela realização do Pan 2007, a alegria e hospitalidade do seu povo, além das belezas naturais da cidade são os destaques positivos.

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Eu, pessoalmente, torço pela escolha do Rio e espero que a decisão dos delegados do COI seja favorável à cidade.

Todas as tabelas e gráficos são parte da pesquisa Diagnóstico Brasil, do Instituto Análise, que vai a campo todos os meses e ouviu 1000 brasileiros acima de 16 anos, de todas as classes e regiões do Brasil.