Dias atrás eu lí um post muito interessante no blog do Grupom sobre como as empresas estão fazendo para adaptar critérios existentes ou até mesmo criar novos critérios de classificação social. http://grupomblog.blogspot.com/search/label/Classe%20C
O texto é bem interessante, mas ainda não estou convencido de que haja um sistema de classificação que seja realmente eficiente no Brasil. Meus comentários:
- Critério Brasil: Terá de ser revisto no futuro, pois há algumas fragilidades bastante claras:
- Posse de bens: Alguns bens estão em desuso como o rádio, por exemplo. Hoje, um celular com rádio pode ser algo ruim para um público de classe mais alta e conta pontos para pessoas de renda mais baixa. Outro exemplo é a posse de carros: Não há distinção entre um fusca e uma Mercedes. Basta ter o carro para contar o mesmo número de pontos. O mesmo vale para a posse de outros bens.
- O celular não é considerado: sei que a ABEP fez simulações incluindo o celular e que os resultados permaneceram inalterados. Há porém diferenças entre os celulares e até mesmo outros sistemas móveis que poderiam ser incluídos, como os tablets. Dá para avançar neste sentido.
- Empregados domésticos mensalistas: Está se tornando um item de luxo e acredito que irá diminuir mesmo entre os brasileiros com maior renda. E aí? O que fazer? Deverá ocorrer uma migração para diaristas, mas como mudar isso na pesquisa? A classificação da pessoa cairá mesmo se ela tiver um ganho de renda e deixar de ter uma mensalista? É complicado.
- Não considerar o número de pessoas na família e a renda familiar (vou tratar sobre isso abaixo, pois o número de pessoas faz mais sentido quando atrelado à renda).
- Renda familiar ou pessoal e renda per capta: Há potencial, mas as fragilidades ainda são grandes
- Nos países mais desenvolvidos, os critérios de classificação quase sempre levam a renda em consideração. A estabilidade histórica das moedas correntes nestes países ajuda a explicar a facilidade de uso destes critérios. Uma oferta de emprego em um jornal americano sempre vem acompanhado do “annual income” ou salário anual, algo praticamente impensável no Brasil e demais países do hemisfério sul. Ok, alguém pode dizer que já se vão 16 anos de estabilidade na moeda no país, mas ainda é pouco tempo para uma mudança de comportamento das pessoas quando questionadas sobre este tema. Em pesquisas, é altíssimo o índice de não resposta na pergunta de renda. É também comum a mentira, para baixo entre os mais ricos e para cima entre os mais pobres. Segue abaixo um exemplo de quadro com o cruzamento da pergunta de renda familiar com a classificação do critério Brasil.

- Renda per capta: além dos problemas de falta de acuracidade na renda coletada, também é pouco considerado o número de pessoas no lar ou o número de pessoas que se beneficiam daquela renda. Uma pessoa que mora sozinha e tenha renda de R$ 5 mil pode ter uma vida muito melhor do que uma pessoa que ganhe R$ 10 mil e tenha mulher e 3 filhos para sustentar.
Poderia ficar escrevendo o dia todo neste post, mas acredito que esta é uma discussão sem fim. O que temos feito aqui no Instituto é cada vez mais considerar a renda familiar para qualificar o critério Brasil, além de incluir perguntas para entender quantas pessoas se beneficiam da renda e que ajudem a qualificar as pessoas. Perguntas sobre a presença de internet banda larga (em casa ou no celular), tablets, celular pós pago, corporativos, viagens para o Brasil e Exterior, etc.
E você? O que pensa sobre isso? Deixe sua resposta nos comentários.









