A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os eletrodomésticos da linha branca termina no domingo, dia 31 e, segundo o governo federal, não haverá mais prorrogação do prazo.
A redução feita no ano passado foi um sucesso para as vendas do setor e fortemente comemorada pela opinião pública e o varejo em geral.
Embora a redução implicasse em perda de arrecadação como alega o governo – teria renunciado aproximadamente 135 milhões de reais durante o período – não consigo acreditar que isto seja verdade. Vou me explicar melhor.
O preço do produto cai na gôndola e o consumidor responde imediatamente comprando mais. Quando o consumidor compra mais, as fábricas precisam produzir mais e, por menor que seja, há ganhos de empregos formais em toda a cadeia produtiva e, consequentemente, aumenta a arrecadação de impostos dos governos em todas as esferas. São mais pessoas na fábrica, mais pessoas na entrega do produto, mais vendedores nas lojas para atender a demanda, mais dinheiro girando, mais comissões para os vendedores, novos investimentos na indústria, enfim, o círculo virtuoso se forma.
Todos sabemos que desde o governo de Itamar Franco a carga tributária do país cresce desenfreadamente, conforme a figura abaixo.
Em uma de nossas pesquisas nós perguntamos à população quais categorias elas gostariam de trocar / comprar nos próximos 3 meses caso a sua capacidade de acesso ao crédito / renda aumentasse em R$ 1.000,00 por mês. Após anotar as categorias desejadas, nós distribuímos uma quantidade de moeda (vamos chamá-las de estalecas) equivalente aos R$ 1.000,00 e apresentávamos o valor mensal de cada um daqueles produtos que ele desejava trocar / comprar.
O objetivo do exercício era forçar o consumidor a priorizar quais produtos ele compraria, uma vez que suas estalecas eram limitadas.
Bens da linha branca era prioridade principalmente nas classes mais baixas, onde as necessidades de consumo são mais básicas.
É exatamente este o público que mais apóia o presidente que será prejudicado com o fim da redução de impostos.
Ficou provado que a redução do IPI da linha branca e dos automóveis tiveram impacto fortíssimo nas vendas e que o consumidor gostaria, e muito, que fossem preservadas estas reduções ou que os impostos diminuíssem ainda mais. Menos impostos = Mais consumo
Em nossa pesquisa também perguntamos quais categorias as pessoas consumiriam mais caso os governos diminuíssem impostos. Os produtos de necessidades mais básicas como alimentos e saúde sairiam na frente.
Lula poderia ter se apropriado de mais este pilar para se consolidar como defensor dos pobres, mas ao terminar com as reduções, deixou aberto o caminho para que a oposição se aproprie. Resta saber se qualquer um dos candidatos abrirá mão de arrecação para ganhar a eleição.
Para mim, seria o único argumento realmente efetivo para tirar votos de Lula.
E você? O que acha?













